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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O que é o "Carisma Franciscano"?

Por Frei Carlos Guimarães, OFMConv.

Quando se fala de Carisma, antes de qualquer outra coisa, deve-se necessariamente reportar a São Paulo (1Cor 12-13), a partir do qual se pode estabelecer que os carismas são dons do Espírito Santo conferidos aos eleitos, ou seja, aos batizados, para que a Igreja, ao longo dos tempos, possa eficazmente realizar a sua finalidade principal: levar os homens à salvação e ser uma presença clara e atuante de Jesus Cristo no mundo.


E o valor destes dons é sempre o bem comunitário posto a serviço de todo o Corpo Místico, de forma que cada um de seus membros recebe, além da justificação batismal, uma graça destinada a torná-lo co-responsável por sua atividade pessoal, pela salvação de todo o corpo: “carismas diferentes, de acordo com a graça que Deus concedeu a cada um... e conforme o impulso da fé” (Rm 12, 6).

Assim sendo, cada batizado possui a capacidade para ser transformado em instrumento do e pelo Espírito Santo, para cumprir uma tarefa específica na manifestação do Reino de Deus e edificação/ atualização da vida de sua Igreja, em tempos determinados, atendendo a necessidades determinadas do povo de Deus.
Conformando-se às disposições humanas de cada batizado, o Espírito Santo orienta a vocação geral de todo cristão para a santidade e para o apostolado, para este ou aquele serviço; e isto se dá no momento propício – geralmente marcado por uma mudança radical e dolorosa de vida: a conversão – em que o cristão se abre plenamente à graça do mesmo Espírito que o conduz a uma missão importante e única a favor de toda Igreja.
Em certos momentos da história da humanidade, o Espírito suscita pessoas específicas para, por meio de uma profunda experiência com Deus, trazer vida nova para a sua Igreja e para o mundo, relembrando-os de algo esquecido ou chamando sua atenção para um aspecto novo ou negligenciado de sua caminhada.
A partir deste ponto, o convertido realiza uma singular experiência evangélica que o faz abandonar tudo que antes lhe era agradável, para se conformar com os apelos que o Espírito faz em seu interior. E isto ocorre com tal intensidade que seu novo modo de viver e agir e seu exemplo vibram como uma nova proclamação do Evangelho, uma nova visão da Palavra de Deus, que transcende os limites pessoais e afetam as pessoas a sua volta, convocando-as a fazer a mesma experiência.
O convertido consegue fazer com que o grupo participe de seu carisma pessoal que, desde este momento, passou a ser meta e orientação para o próprio grupo. O convertido transforma-se em referencial para toda uma geração de seguidores, converte-se em fundador de toda uma maneira própria de ver o homem e o mundo.
É nesta dinâmica que se dá e que se deve procurar apreender a experiência pessoal de São Francisco de Assis, que culmina na gênese e na construção do Carisma Franciscano

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Seguimento de Cristo à maneira de Clara

Estamos sempre com os olhos voltados para as celebrações dos oitocentos anos do carisma clariano que se darão em muitos espaços  no mês de  agosto de 2012.  Temos em mente, de modo especial, o Congresso Clariano de Canindé  (CE) de 9 a 11 de agosto de 2012.
Debruçamo-nos agora sobre o tema do seguimento de Cristo, que outra não é senão a contemplação e imitação da altíssima pobreza do Filho de Deus. Francisco e Clara se comprazem em associar Maria, a Paupercula,  ao mistério da pobreza de Deus.
1. Falar em Francisco e Clara é pensar em pessoas profundamente tocadas pela figura de Cristo pobre, crucificado, encarnação da bondade extrema de Deus.  Falar em franciscanos e clarissas é referir-se a pessoas que foram se deixando formar, modelar e plasmar  pela pobreza do Cristo.  A melhor palavra não é formar, mas deixar-se seduzir por esta pobreza que tem um nome:  Jesus Cristo.  Estamos conscientes que a pobreza não significa apenas uma sobriedade nas vestes, na comida, no uso das coisas materiais. Tem ela a ver com desprendimento, despojamento,  não posse. Não somente de bens materiais mais do velho homem que tenta sobreviver em nós. Não se trata apenas de um seguimento externo, mas de uma  identificação de vida a vida entre o discípulo e o Cristo pobre.  Na verdade,  não podemos nos ater ao Cristo histórico, encerrado nas páginas dos evangelhos, mas a esse Ressuscitado  que nos convida a entrar em comunhão nupcial com ele. Seguir Cristo à maneira de Clara será efetivamente estabelecer liames vitais e “virginais”,  totais com esse Esposo que aparece no espelho. O incontido amor por Cristo faz com que Clara se torne sedenta de amor do Esposo feito pobreza.
2. Clara, como Francisco, começa e termina a Regra com uma declaração programática: “A forma e a vida  da Ordem das Irmãs pobres, que o bem-aventurado Francisco instituiu, é esta:  Observar o  santo evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”  (Regra I,1). “Observemos para sempre a santa pobreza e humildade de  Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe e o santo Evangelho que prometemos firmemente” ( Regra XII).  Estas palavras abrem e fecham o texto da Forma de Vida escrita por Clara. Não constituem elas uma simples moldura, mas o fundamento que a tudo dá sustento.
3. “Por isso, de joelhos dobrados e prostrada, recomendo a todas as minhas irmãs atuais e futuras à Santa  Igreja romana, ao Sumo Pontífice e principalmente ao  senhor cardeal que for encarregado da Ordem dos Frades Menores e de nós, para que, por amor daquele Deus que pobre foi posto no presépio, viveu pobre no mundo e ficou nu no patíbulo faça com que sempre seu pequeno rebanho  que o Senhor gerou em sua Igreja pela palavra e o exemplo de nosso bem-aventurado Pai São Francisco para seguir a pobreza e a humildade de seu Filho dileto e da Virgem, sua gloriosa Mãe, observe a santa pobreza que prometemos…”  (Testamento 44ss).  Clara quer levar suas irmãs ao essencial.  Se o Filho de Deus escolheu o caminho da pobreza e do despojamento, então este é o caminho real que nos leva à Terra da Promissão.
4. Misturam-se nos escritos de Clara a imagem do Cristo rei  (2CtIn) e a imagem do Cristo caminho.  Clara  emprega as duas imagens em suas cartas a  Inês de Praga. Ela distingue os aspectos  do mistério total de Cristo que habita na alma.  A imagem do Cristo rei, reinando agora gloriosamente no céu, é a imagem do Esposo e objeto primário de seu desejo. Porém, a imagem do Cristo visto no contexto do mistério da Encarnação, o Cristo na sua humanidade, pobre e humilde, é o  caminho  para a desejada união.  Os desponsórios místicos têm seu fundamento no aniquilamento amoroso do amado.
5. Com toda evidência, Clara exorta implicitamente a Inês a seguir aquilo que a literatura espiritual da Idade Média chama de  caminho real. Para São Bernardo, a “via real”  é aquela que se faz sem desvios,  sem delongas  desnecessárias. A pobreza é caminho real para a união esponsal porque elimina as causas de dissipação que nascem do apego aos bens terrenos. O caminho da pobreza, o caminho que o Senhor manifestou em sua  humanidade: o caminho da pobreza e da humildade que levam à posse do Reino dos céus: “Ó bem-aventurada pobreza, que àqueles que a amam e abraçam concede as riquezas eternas! Ó santa pobreza, aos que a tem e desejam, Deus prometeu o reino dos céus e são concedidas sem dúvida alguma a glória eterna e vida feliz.  Ó piedosa pobreza, que o Senhor Jesus Cristo se dignou abraçar acima de tudo, ele que regia e rege o céu e a terra, ele que disse e tudo foi feito  (1CtIn 15-17). “O reino de Deus só é prometido e dado pelo Senhor aos pobres”  (1CtIn 25). Este é o caminho duro e a porta estreita. Por meio de uma tal porta  realiza-se a união mística com Cristo, o início do reino celeste já nesta terra.  O caminho que Cristo nos mostra durante a sua vida terrena é o mesmo caminho que Francisco ensinou a Clara.  Com sua palavra e seu exemplo,  Clara orienta Inês e as Irmãs a percorrerem esta  via regia. Durante toda a sua vida, Clara lutou para que ninguém a retirasse de tal caminho. No Testamento, ela escreve: “O Filho de Deus se fez para nós o caminho, que nosso bem-aventurado pai Francisco, que o amou e seguiu de verdade, nos  mostrou e ensinou  por palavra e pelo exemplo”  (Test, 5).
6. Podemos dizer que  Clara, na qualidade de guia espiritual, indicou e continua indicando para nós um só caminho que leva à união com Cristo, a via regia, o caminho percorrido primeiro  por Cristo e Maria e depois por Francisco, seguimento do Cristo esposo, pobre e humilde. Nas palavras que ela empresta da Regra Bulada de São Francisco, Clara  reforça  que este é o caminho real:  “Como peregrinas e forasteiras neste mundo… esta é a sublimidade da altíssima pobreza que vos fez, minhas caríssimas irmãs,   herdeiras e rainhas do reino dos céus… Esta seja a vossa porção que nos leva à terra dos vivos”  (RCl 8).
7. Clara interpreta  o seguimento essencialmente em termos de amor  sensível pela humanidade de Cristo -  humanidade esta que é o caminho que nos leva ao Pai -  e imitação das virtudes que o próprio Cristo viveu, principalmente a pobreza e a humildade. A prática destas virtudes místicas não se limita a uma imitação exterior de Cristo,  mas um modo concreto de  entregar-se  totalmente a Cristo e abraçar misticamente sua humanidade e desta forma aprofundar a união esponsal com ele.  Podemos avaliar a sensibilidade do amor de Clara para com Cristo no uso frequente de palavras que aludem ao seguimento em termos de abraço.  Trata-se do abraço místico ou da união mística com a humanidade de Cristo mediante   a prática das virtudes  por ele santificadas:
“Ó bem-aventurada  pobreza, que àqueles que a amam e abraçam concede as riquezas eternas!”(1CtIn 15). “Abrace o Cristo pobre como uma virgem pobre. Veja como por você ele se fez desprezível e siga-o sendo desprezível por ele nesse mundo” (2CtIn 18-19). “Vejo que são a humildade, a força da fé e os braços da pobreza  que a levaram a abraçar o tesouro incomparável e escondido no campo do mundo e dos corações humanos, com o qual se compra aquele por quem tudo foi feito”(3CtIn 7).
8. O seguimento de Cristo para Clara  comporta o abraço místico da humanidade de Cristo; em outras palavras, o caminho da imitação exterior da humanidade de Cristo e a conformidade (o entregar-se) interior da vontade à vontade de Deus levam ao amor puro, ao coração dos esponsais místicos entre a alma humana e o Verbo.  “É essa a perfeição que vai uni-la ao próprio Rei no tálamo celeste, onde se assenta glorioso sobre um trono estrelado. Desprezando o fausto de um reino da terra, dando pouco valor à proposta de um casamento imperial, você se fez seguidora da santíssima pobreza em espírito de grande humildade e do mais ardente amor, juntando-se aos passos daquele com quem mereceu unir-se em matrimônio” (2CtIn 5-7).
9. Maria Victoria Triviño,  clarissa espanhola, numa belíssima obra sobre os temas espirituais de Clara,  conclui assim o capítulo a respeito da espiritualidade nupcial de Santa Clara, que outra coisa não é senão esse enamoramento da alma virginal pelo Esposo.  Os temas do seguimento e da virgindade se entrelaçam: “Clara  sente-se fortemente atraída  – carisma de virgindade – e corre no encalço de  Jesus Cristo empenhando todo o seu afeto, todos os sentidos e faculdades.  Sua ascética consiste em “correr” impulsionada “pela violência do desejo”. Sua mística é o abraço esponsal. Sua bem-aventurança é a doçura escondida.
Não quer que seu pensamento se afaste da lembrança do Senhor, e o adivinha presente sob as mais diferentes aparências. Ama de todo o coração.  Comove-se e chora quando fala da paixão  (Proc XI,2), fica   fora de si quando o contempla sozinha (ProcIII,25), treme quando recebe o Corpo do Senhor… Exulta ao escutar o Vidi aquam… Uma tal  integração da afetividade  faz dela uma mulher ardorosa e apaixonada.
Pode-se dizer que Clara nada fez sem entusiasmo.  Basta recordar a fuga noturna, o desejo do martírio, o episódio dos sarracenos, o assédio de Vital de Anversa. No grande e no pequeno, no ordinário e no extraordinário sempre em tudo colocou um grande amor.
Mente, faculdades, coração, instinto… Tudo está polarizado num amor exclusivo. Assim  todos os níveis do ser unificam no amor a Jesus Cristo. A vivência da maternidade espiritual  faz com que ela se realize plenamente como mulher que se sente mãe, para Jesus Cristo e para com as irmãs.
Fruto desta unidade, em nível psicológico, é o equilíbrio, a harmonia. O que os autores modernos chamam de  psicologia dinâmica. O divino se enraíza no psicológico.  No plano espiritual, o fruto é um estado de bem-aventurança, a coroa da santidade: “.. estava sempre alegre no Senhor e jamais era vista perturbada, e sua vida era toda angélica” (Proc  III,6).
O tema nupcial, tão explícito na primeira carta, foi avançando com o clamor de Raquel (“Lembre-se da sua decisão como um segunda Raquel; não perca de vista seu ponto de partida…” (2CtIn 11) e com a adesão à Mãe dulcíssima que a ama, acompanha e cuida,  reaparece no começo do espelho.  Contemplando os mistérios no espelho  Clara se aprofunda no mistério do Amado. No final, a esposa repousa e descansa no beijo e no abraço da esposa do Cântico dos Cânticos (4CtIn 30-32).
Tudo o que disse Clara  foi revestido de delicadeza e de beleza. Para viver o que foi dito necessário foi muita fortaleza.  Estamos numa sociedade em que a virgindade é flor rara. Mal se fala dela.  Muitos são os que acreditam que ela não pode ser guardada. Sempre houve quedas e abandonos  que fizeram com que ela fosse menos digna de crédito. Quem não a acolheu não tem ouvidos para entendê-la, mesmo querendo discutir a seu respeito. A virgindade é um carisma que sempre ornou, orna e ornará a Igreja cristã.
É um carisma, um presente do Espírito  do qual se deve dar testemunho diante do mundo que não tem dele alta cotação.  A prudência humana não deve nos impedir de dar testemunho de sua beleza” (La vía de la beleza. Temas espirituales de Clara de Asís,  BAC  46,  Estudios y ensayos, p. 181-183).
10. Frei Herbert Schneider, OFM, refletindo sobre o tema Claire d’Assise, école de vie spirituelle,   in Quaderni dell’Ufficio pro monialibus, n. 46, dicembre  2010,  fala da espiritualidade como transformação: “Santa Clara exorta Santa Inês de Praga em sua segunda carta a realizar o tríplice passo da vida espiritual (2CtIn 20): olhar (intuere), considerar (considerare), contemplar (contemplare). É, por assim dizer, um tríplice passo do exterior para o interior para as profundezas lá onde ela se sente possuída pelo desejo amoroso (desiderare) de imitar (imitare). É o caminho da transformação em Cristo:  trata-se de, pelo olhar,  experimentar com ele o sofrimento, na  consideração de morrer com ele e a partir desse momento acontece a transformação numa vida nova  com Cristo. É a mudança em Cristo.  Na espiritualidade  da transformação/mudança, a forma de Cristo passa a manifestar-se no homem. O que é realidade no Cristo torna-se também pela transformação e a título de dom realidade no homem”.
11. Basta.  O seguimento de Cristo na vida contemplativa significa transformar-se me Cristo. O amado de tanto se espelhar no Amante ganha  seus traços e vive em comunhão com ele.
Autor: Frei Almir Ribeiro Guimarães
fonte:http://www.franciscanos.org.br/n/?p=19652

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O QUE SE DIZ A RESPEITO DE FRANCISCO?

O QUE SE DIZ A RESPEITO DE FRANCISCO?
Por que a ti? Por que a ti? Por que a ti?
Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM
 
1.  
 Por que as pessoas andavam atrás de Francisco? Conhecemos o diálogo entre Frei Francisco e Frei Masseo conservado nos Fioretti (n. 10).  Masseo quer saber os motivos pelos quais  todo mundo andava atrás de Francisco.  Por que a ti? Por que a ti?  Por que a ti?  Conhecemos a resposta que o autor coloca nos lábios de Francisco: “Isto recebi dos olhos do Deus altíssimo, os quais, em cada lugar contemplam os bons e os maus; porque aqueles olhos santíssimos não encontraram nenhum mais vil nem mais insuficiente, nem mais pecador do que eu; e assim, para realizar esta operação maravilhosa, a qual entendeu fazer, não achou outra criatura mais vil sobre a terra; e por isso me escolheu para confundir a nobreza e a grandeza e a força e a beleza e a sabedoria do mundo, para que se reconheça que todo bem é dele e não da criatura e para que ninguém se possa gloriar  na presença dele; mas quem se gloriar que se glorie no Senhor, a quem pertence toda honra e glória na eternidade”. Francisco começa dizendo simplesmente que ele existe para dizer com palavras e gestos que todo o bem vem  do Sumo Bem!  Vamos dar a voz  a alguns entre tantos que escreveram sobre Francisco. Eles tentam dizer os motivos  pelos quais tantos andaram e andam ainda hoje atrás de Francisco e ajudam-nos, por nossa vez, nesse tempo refundação e de volta à graça das origens, a formular também a resposta a esta pergunta: Quem é Francisco para nós?   Que a reflexão sobre estes pensamentos nos tornem mais leves, mais lépidos, mais alegres para começar a caminhada rumo a Agudos!!!
2. Omer Englebert escreve: “Francisco é dessas figuras das quais a humanidade sempre sentirá orgulho. Suas qualidades forçam a simpatia; seus defeitos, se os tem, são atraentes; sua santidade nada  tem de esotérico, afetado ou ameaçador; seus dons naturais suscitam geral admiração; e seus ensinamentos exalam tal frescor, poesia e serenidade, que mesmo espíritos embotados podem encontrar neles razões para amar a vida e crer na bondade divina” (Vida de São Francisco de Assis, Omer Englebert. Trad. Frei Adelino G. Pilonetto. EST Edições, P. Alegre, 2004. p. 9).
3. Tomemos as observações feitas por Gérard Guitton  na Introdução de seu Découvir Saint François d’Assise, Salvator, Paris  2004. O Autor elenca opiniões e vários autores e escritores: O agnóstico Ernest Renan diz: “Deve-se dizer que depois de Jesus, Francisco de Assis foi o único cristão perfeito”.  Outro escritor agnóstico, André Malraux: “Será que se pode dizer que Francisco de Assis  tenha sido, na história da Igreja, o último gigante da santidade? Sem dúvida, depois dele, houve outros, mas nenhum deles conseguiu, unicamente por sua força espiritual, revolucionar o mundo ocidental e transformar a civilização como ele fez e até mesmo inspirando uma arte completamente nova...”.  Fr Gérard menciona ainda outros. Lenine afirmaria que ele não teria tido necessidade de fazer a revolução na Rússia se tivesse encontrado três ou quatro  Franciscos de Assis.  Clemenceau  disse que gostaria de ter em seu sangue algumas gotas do sangue de São Francisco.
4. Dois depoimentos fora dos muros da Igreja. O primeiro do austríaco, Kurt  Waldheim, antigo secretário geral da ONU: “São Francisco de Assis é o símbolo da paz, do respeito pela natureza e do amor pelos pobres que fazem parte do ideal seguido pela ONU cuja Carta foi assinada na cidade de São Francisco, que leva o nome do Pobre de Assis.  M. Amadou  Mahtar M’Bow lembra  “ a universalidade, o altruísmo caracterizado por uma vontade de diálogo e defendidos por Francisco de Assis que deseja ser instrumento da paz”.
5. Francisco não está morto. Ele vive. Não se pode “clonar” Francisco. Armindo Trevisam, na Apresentação da versão brasileira do livro de Omer Englebert:  “Em termos absolutamente concretos, a repetição de Francisco de Assis, a sua – digamos com humor – “clonagem” espiritual não teria sentido. Francisco é irrepetível. Foi um carisma concedido à Igreja num determinado século, em meio a determinadas necessidades espirituais. Mas é aqui, precisamente, que intervém um elemento supra-histórico: a graça de Deus. Francisco não está morto, está vivo. Está na glória de Deus e é nosso intercessor. Portanto, não desapareceu da História, porque a graça de Deus o mantém atuante dentro dela. É esse o mistério da comunhão dos santos e da esperança geral da humanidade” (...) “... a figura de Francisco de Assis possui uma tríplice dimensão: “a dimensão histórica, a dimensão sobrenatural, e a dimensão poético-mística que o converte num ideal e num sonho cultural da humanidade. Como promover a ecologia sem nos referirmos ao seu patrono? Como neutralizar as perversões da globalização sem evocar o homenzinho de Assis que pregava o anticonsumismo, limitando-se às necessidades básicas?  Como preservar um mínimo de relacionamento pessoal entre as classes sociais sem reviver a sua caridade universal, que abarcava os próprios lobos e cotovias?”
6. Éloi Leclerc  escreveu inúmeras obras cheias de profundidade e sabor a respeito de Francisco. O autor se encantou por Francisco antes da última guerra, viveu o inferno dos campos de concentração nazista e completou as etapas do seguimento do Poverello depois do fim da guerra e a chegada da paz. O Francisco de Leclerc sempre encanta.  “Há uma secreta vinculação entre a pureza do coração e a mansidão, entre a transparência das profundezas e a serenidade, entre a santidade e a bondade essencial. Talvez, no fundo, a pureza não seja mais do que a transparência do ser, frente à Bondade original. Um homem, pelo menos, assim a entendeu. Era um sábio, embora não cuidasse de o aparecer. Ele viu que a pureza e a mansidão, irmanadas, formavam a face de Deus. Por assim o haver entendido, esse homem renunciou ao poder que gera a violência, e ao dinheiro que está na raiz do poder. Deu de mão a toda ambição de domínio, incluindo a mais sutil de todas, a dos clérigos. Rompeu com o sistema político-religioso de seu tempo, a supremacia temporal da Igreja, as lutas feudais, as guerra santas. Fê-lo sem clamor, sem subverter a opinião pública, com suavidade, humildemente, mas realmente. Num mundo violento, eriçado de torreões, cavado de fossos, o seu universo não conhecia muralhas e torres de vigia. Pobre de bens e de poder, estava em paz com todos, vivia  ao nível de todos os seres, para todos tinha um olhar cheio de luz e de respeito. O olhar, sobretudo, era nele maravilhosamente humano; humanos os sentidos todos. As criaturas já não eram objeto de posse e de domínio. Irmão do sol e das criaturas, caminhava num mundo aberto e  esplendoroso. Era o pai de uma multidão de amigos.  Nele se congraçavam a pureza e a ternura, e nenhuma barreira lograva impedir que se expandissem pelo mundo. O seu horizonte  não era a Cristandade temporal, com seu prestígio, as suas fronteiras  a defender ou  a dilatar, mas apenas Jesus Cristo que urgia amar e servir, o homem que se impunha salvar.  Foi longe nesse propósito, para além das fronteiras da Cristandade. Em plena Cruzada, foi para o Oriente, não para combater ou desempenhar meras funções de assistente espiritual, mas para reencontrar os outros, os que não pensavam como ele. Várias vezes se avistou com o sultão Melik-el-Kamil. O desprezo de qualquer sucesso pessoal, o brilho que de si próprio irradiava impressionaram de tal modo o chefe muçulmano que chegaram a discorrer longamente, como bons amigos, sobre as respectivas religiões. Teve mesmo que declinar honrarias e benesses com que o sultão o desejava distinguir. E se este não aceitou a fé cristã ficou lançada uma ponte entre o Ocidente e o Oriente.  Foi, sem dúvida, um grande momento da história dos homens (...).  “... a sombra perseguia esse homem de coração solar. A sombra de seu tempo na qual trabalhava o Maligno, agarrava-se-lhe aos pés para o vergar ao fracasso. E fracassou, com efeito. Não  converteu o sultão à fé cristã, nem os cristãos à mansidão evangélica. Não reconciliou os homens, nem realizou a unidade.  Viu até germinar a discórdia entre os próprios discípulos. Um tal fracasso poderia fazê-lo vacilar, lançá-lo num abismo de desespero. Depois de ter trabalhado na paz, conheceu durante dois anos  o acicate da turbação – a turbação que é, para o homem a revelação de que não é totalmente puro nem perfeitamente  transparente e permeável à Bondade original.   Mas que faltava a este homem para estar inteiramente aberto à luz e realizar em plenitude a semelhança com o Pai?  Nada, talvez.  Ou apenas isto: aceitar até o fim a prova da paternidade e entrar, desse modo no mistério do Pai. Para conseguir a semelhança divina não basta invocar o Pai, nem sequer manter com Ele relações filiais. É necessário conhecer por si mesmo, no apagamento,  o que é ser Pai à maneira de Deus.  Conhecê-lo, sendo-o, ele próprio também.  Este homem aceitou. E começou então, para ele, uma lenta migração interior para as regiões do ser, onde o último segredo do mundo se revela cada vez mais transparente.   Conheceu finalmente a alegria do Pai.  Doravante, nada o perturbará. Com igual regozijo poderá cantar o sol e a morte. E recolher no coração, de quando em quando, as secretas harmonias vindas da outra margem do silêncio” (in Desterro e Ternura,  Braga 1974, p. 10-12).  Que estupendo este texto a respeito de Francisco.
7. Donald Spoto, estudioso americano, publicou um livro interessante sobre Francisco ( Francisco de Assis. O Santo Relutante, Objetiva, 2002). Primeiramente ele nos fala da influência de Francisco na cultura: “Francisco deixou sua marca na arte, na literatura e na história da civilização ocidental, a começar por Dante, que nasceu 40 anos após sua morte  e que dedicou a Francisco a quase totalidade de um dos cantos da Commedia. Não é exagero dizer que todas as expressões italianas subseqüentes  de cultura religiosa devem  algo a Francisco, desde os afrescos de Cimabue e Giotto até os filmes de Vittorio de Sica e Federico Fellini, que estão impregnados de uma profunda sensibilidade franciscana” (p.20).
8. Estas reflexões são completadas pelas palavras  vigorosas e contundentes  de  Paul Sabatier, na sua Vida de São Francisco de Assis (IFAN). Transcrevemos umas poucas linhas da Introdução. Discorre o autor sobre as religiões que visam à divindade. Todo esforço nessas religiões, segundo Sabatier, se concentra no culto e, em particular,  no sacrifício. A finalidade a ser alcançada é uma mudança nas disposições dos deuses.  Esses são reis poderosos, dos quais se deve comprar o apoio ou o favor por meio de presentes. A maior parte das religiões pagãs faz parte dessa categoria, bem como o judaísmo farisaico. É também a tendência de certos católicos  atrasados para quem o grande negócio é apaziguar Deus ou comprar, à custa de orações, de velas e de missas, a proteção da Virgem e dos Santos”. Espero que meus leitores compreendam a rudeza das palavras do Sabatier. Coloquem-na no vigor crítico. Depois ele escreve a respeito das religiões que querem mudar o homem. Diz que a partir da conversão Francisco tem maneira diferente de rezar.  Ali ela manifesta sua mudança e sua grandeza:   “... a oração, que se tornou  ato essencial da vida, perde seu caráter de fórmula mágica; torna-se impulso do coração; é a reflexão e a meditação que se eleva acima da vulgaridade do aqui para penetrar os mistérios da  vontade divina e conformar-se com ela; é o ato do átomo que compreende sua pequenez, mas mesmo que seja apenas um som, quer que este som, esteja em sintonia com a sinfonia divina. Ecce adsum, Domine, ut faciam voluntatem tuam. Quando alguém alcança essas alturas, não pertence mais a seitas, mas  à humanidade. É semelhante a essas maravilhas da natureza que o acaso coloca em território de tal ou tal povo, mas que pertencem a toda a humanidade, porque no fundo não pertencem a ninguém ou, antes, são propriedade comum e inalienável de todo o gênero humano. Homero, Shakespeare, Dante, Goethe, Miguel Ângelo, Rembrant pertencem a  nós todos, tanto como as ruínas de Atenas ou  de Roma, ou antes, pertencem a quem mais os ama, a quem os compreende melhor”.
 9. Francisco não era um teórico da vida espiritual.  Falava de Deus em termos de experiência. “Falava somente daquilo que conhecia, ouvia e sentia. Nesse particular, nós o vemos, ao longo dos séculos, como exemplo do que Deus é capaz de fazer, isto é, principalmente maravilhar-nos, alterar radicalmente a maneira pela qual vivemos e agimos. Nos trechos dramáticos de sua própria vida, e na forma pela qual um playboy simpático  mas um tanto vazio se transformou em modelo servidor do mundo, ele revelou a presença de Deus no tempo e na história. Em outras palavras, sua credibilidade é grande por haver demonstrado que nosso melhor momento acontece quando ousamos permitir que Deus penetre nossas vidas. Os extremos da vida de Francisco, durante os quais ele passou de playboy a penitente, e de pobre a santo, revelam um indivíduo que se colocou à margem do mundo.  Em sua identificação com aqueles que a sociedade polida rejeita, Francisco questionou a insensatez de confiar no dinheiro, nos bens e coisas materiais em busca da felicidade. Sua figura atrai praticamente a todos, provavelmente porque (ao contrário da maioria dos santos) ele não é propriedade da Igreja Católica Romana. Sua primeira grande biografia moderna foi escrita por um protestante francês; um dos mais importantes historiadores do franciscanismo foi um bispo anglicano; um ortodoxo grego é o autor de um vigoroso romance sobre sua vida; e para ser fotografado em uma conferência de paz em Assis, o Dalai Lama quis sentar-se no lugar que Francisco mais amava e no qual morreu” (Spoto, p. 21-22).
10. O texto da FFB  sobre os 800 anos do Carisma (Reviver o sonho de Francisco e Clara de Assis no chão da América Latina e do Caribe) teve sua primeira e principal redação, segundo informações, de Frei Prudente Nery, capuchinho querido, de boa cepa e de veia poética, que a Irmã Morte veio buscar muito cedo, muito cedo...  Falando do encontro de Francisco com o Evangelho da missão, assim se exprime o texto: “Para dentro desse encontro, Francisco traz tudo aquilo que lhe era próprio. Não apenas o que lhe dera, em prodigalidade, a natureza, mas também o que ele havia visto, discernido, aprendido e construído, em sua vida, no momento histórico em que lhe fora dado viver. Nada disso é aniquilado em seu encontro com o Evangelho (Jesus Cristo). Antes constitui o chão bom e fértil onde a graça se deposita e floresce em única e copiosa beleza.  Como de todo encontro verdadeiro nunca saímos o mesmo, assim também aqui, Francisco, por sua natureza sui generis, retira desse tesouro (Evangelho) coisas novas e velhas, desoculta-lhes desconhecidas riquezas. Nele, o Evangelho se ergue da letra das Escrituras repleto de espírito, ressurge em nova vitalidade e manifesta-se em surpreendente atualidade. Por sua vez, o encontro com Jesus Cristo depura, fortalece, torna ainda mais luminosas as virtudes de Francisco” (p. 13).
11. Chesterton escreveu uma apaixonante biografia sobre o santo. Dele retenho apenas, por necessidade de brevidade, poucos parágrafos. Falando de Francisco, escreve: “Não é possível ler racionalmente a história de um homem apresentado como um espelho de Cristo sem compreender sua fase final como Homem das Dores e sem ao menos apreciar artisticamente a propriedade de ele ter recebido, numa nuvem de mistério e de isolamento, e não provocadas por mão humana, as feridas sempre abertas que curam o  mundo”  (G.K. Chesterton,  São Francisco de Assis. A Espiritualidade da Paz, Ediouro, 2001, p. 18).  “.... a vinda de São Francisco foi como o nascimento de uma criança numa casa escura que tivesse acabado com sua maldição; uma criança que cresce sem ter consciência da tragédia e que a vence por sua inocência. Nele, é preciso não só inocência, mas desconhecimento. É da essência da história que ele  se jogue na grama verde sem ver que ela esconde um cadáver ou que suba numa macieira sem saber que é a forca de um suicida. Foi essa anistia e reconciliação que o frescor  do espírito franciscano trouxe a todo o mundo” (p. 171).
12. Neste elenco riquíssimo de  depoimentos a respeito da beleza da vida de Francisco não convém deixar de lado o tocante depoimento de Julien Green, conhecido escritor: “Desde  a minha infância, em tempos perdidos nas brumas do passado, na rue de Passy onde morávamos, eu ouvia o nome de Francisco pronunciado com a ternura que sempre o acompanhava. Minha mãe, de modo especial,  protestante de boa cepa, devotava-lhe uma afeição que me leva a crer que ela o havia conhecido. Ele era e continua sendo o homem que vai além das tristes barreiras teológicas. Ele é de todo o mundo, como o amor que sempre nos é ofertado. Não se podia vê-lo sem amá-lo, dizia-se dele no seu tempo, e tal amor continua existindo.  Já tive ocasião de contar, em outro lugar, como, no momento da morte de minha mãe, que fraturou nosso pequeno universo familiar procurei a religião que ela parecia ter levado junto com ela. Meus laços com a Igreja anglicana iam sendo desfeitos. Caiu em minhas mãos um livro que expunha a fé católica e, em poucos dias, o lia apaixonadamente. Em menos de um ano aconteceu a conversão e fui recebido na Igreja em 1916.   Nesse meio tempo, grande devorador de livros, descobri a pesquisa séria de Madame Arvède Barine, sobre São Francisco e a Legenda dos Três Companheiros.  Fiquei louco de amor por esse mundo maravilhoso. Sonhava tornar-me como Francisco de Assis e quando o diretor encarregado de minha instrução religiosa perguntou-me o nome que queria  receber no  batismo, respondi com firmeza: “São Francisco de Assis”. Ele não manifestou nenhum entusiasmo e, com voz calma, disse: “Eu teria preferido São Francisco de Sales, mas a escolha é sua e será respeitada”. Eu não conhecia São Francisco de Sales e o padre jesuíta, certamente um santo homem, não acreditava ser oportuno me falar de Francisco de Assis, mas eu, em geral discreto, tornava-me falante quando podia cantar as loas do Pobrezinho.  Sentia-me na obrigação de completar um pouco a instrução que o reverendo padre, sobre esse grande personagem, dava a entender não conhecer tão bem.  Quantos pensamentos loucos se agitavam dentro de mim parecidos a um turbilhão.  Ser como São Francisco de Assis, que glória!  Eu era mesmo mais categórico em meu entusiasmo religioso: “Eu quero ser São Francisco de Assis”, declarei  um dia a meu diretor espiritual. Sua resposta se limitou a um  olhar sério e demorado e nada mais”. (Julien Green, Frère François, Ed. Du Seuil, Paris 1997, p. 341-342).
13. Fernando Felix Lopes, em seu O Poverello São Francisco de Assis, biografia com sabor português, encantadora em cada uma de suas páginas, faz uma pela de despedida de Francisco: “Voou para o Alto. Não voltará? Volta de novo à terra, ó Pai S. Francisco. Andaste no trabalho ingente e doloroso de arredar os espinhos que escondem no coração do mundo o Reino dos céus;  chagaste no trabalho os teus pés e mãos, teu peito estalou de cansaço num rasgão sangrento. E já os lobos amansavam suas gulas e sanhas, e as andorinhas andavam presas no encanto da tua voz, e os homens deixavam os campos de batalha para correr atrás de ti em convívio fraterno, e até os infiéis, enternecidos, escutavam teus cantares de Paz e Bem. Parece que já nos sorria o paraíso.  Mas foste embora naquela madrugada de luz que num instante fulgiu nos negrumes da terra, e logo se apagou. E foi outra vez a noite do pecado. Há mais espinhos sobre a crosta da terra; andam à solta, mais açulados e gulosos, os lobos que nos espreitam; fugiram aterradas as andorinhas; e as irmãs cotovias, tristes encapuchadas, vivem numa saudade imensa daquela madrugada que não chegou a amanhecer. Volta, pai S. Francisco, ao teu trabalho de encher a terra da paz do Reino de Deus!  Mas, se não voltas, então espera-me, ó Pai, espera-me, que também quero partir contigo!” (Ed. Franciscana, Braga,  1996, p. 493-494).
E agora?
Estamos afivelando nossas bolsas para empreender a viagem até Agudos.  Vamos viver a experiência do Capítulo da Imaculada!  Levamos o perfume de Francisco de Assis, alegria de sermos seus discípulos e a responsabilidade de mantermos viva sua memória.   Depois de percorrer tantas e tão extraordinárias “versões”  de Francisco, sentimos o peso de nossa responsabilidade. Somos franciscanos. Não é possível esquecê-lo. Faz parte de nossa identidade. Na cortesia de todos os momentos, na oração que brota dos cantos mais escondidos do coração, na simplicidade do vestir, do comer e do falar,  no trabalho de tornar o amor amado, na acolhida de todos, na vontade de ser irmão, vamos rumo a Agudos.  Que o espírito de Francisco nos preceda e nos acompanhe para sermos fiéis a nós  mesmos, ao que prometemos e para que, assim,  os lobos se tornem mais mansos, as águas mais puras, as comunidades dos cristãos mais evangélicas  e menos burocráticas,  nossas casas não apenas residências mas pequenas células do Reino novo. Nossas bolsas estão prontas para o Capítulo... Boa viagem.